Uma linda Historia de Imigrantes

Nossa querida socia Marcela Coco, Descendente de Sardos de Tissi - Sassari - Sardegana
A história é a seguinte:
Sempre ouvi desde criança as histórias que meu avô contava sobre nossa família. Dentre essas histórias a de seus pais que vieram pro Brasil, em 1896 e 1897. Inclusive tenho o passaporte original de minha bisavó e seus pais e irmã e o comprovante de vacina deles (vou te mandar as fotos em anexoUma das histórias que meu avô se recentia muito era de não ter realizado o último sonho de sua mãe: voltar pra Sardenha, pra sua terra natal.
Isso se deu porque logo depois do término da guerra meu avô teve uma irmã morta pelo marido que era parte de uma família portuguesa de prestígio aqui no Rio de Janeiro e nada fora feito na epóca porque a morta era uma mulher filha de agricultores e pobres italianos e logo depois da guerra, facistas (essa história era muito mais real do que a que escutamos e minha família foi vitíma dela). Depois do assassinato e da impunidade minha bisavó, Antonietta Scarpa, ficou muito triste e doente. Meu avô contava que sempre chegavam cartas vindas da Itália remetidas pela família de sua mãe, diretamente da cidade onde ela nascera, Tissi.
No ano de 1963 minha bisavó e sua irmã, Maria Scarpa, também nascida em Tissi, receberam uma carta do Consulado pedindo para que elas se dirigissem a unidade consular para tomar ciência de assuntos de seus interesses. Minha bisavó foi acompanhada de meu avô que era o filho mais próximo e presente.
La chegando o Cônsul as atendeu pessoal e informou que pela lei italiana e por meu tataravô, Giovanni Battista Scarpa, único filho homem, havia herdado terras em Tissi que eram de considerado valor e tamanho, produtores de vinho e azeite e que o Consulado poderia dispor para elas e todos os seus, sem excessão, passagens para irem morar e cultivar as terras.
Minha bisavó viu nessa oprtunidade de voltar a sua terra natal da qual ela tanto falava, amava e se recordava de que fora feliz um dia, já que a sua vida no Brasil tinha sido sempre muito difícil e pela primeira vez que ela chegou aqui foi tratada com respeito por sua pátria, vez que negaram ajuda no caso da morte de sua filha.
Minha bisavó e sua irmã eram já muito idosas e estavam doentes, todos os filhos já estavam casados, tinham suas casas, trabalho e estavam vindo os filhos´e a Itália estava arrasada pelo pós guerra e a lira valendo muito pouco, ninguém quis ou pode acompanhá-la. Como uma tia (que não tinha direito as terras) havia mandado uma carta desesperada pedidno pelo amor de Deus que as terras não fossem vendidas pq ela e sua família viviam e tiravam sua subsistência.
Assim, meu avô resolveu dar o usufruto das terras para a família que lá residia e que tomou conta das terras por todos aqueles anos e era mais do que merecedora das mesmas, já que ninguém iria pra Itália.
Com o passar dos anos minha bisavó morreu, depois meu bisavô e as cartas foram ficando cada vez mais raras até que cessaram de vez na década de 70.
Eu nasci em 1982 e nunca vi as cartas chegando, mas sempre escutava a história de meu avô que se ressentiu por toda a vida por não ter realizado o último sonho de sua mãe.
Sempre houve a curiosidade de saber como estavam as pessoas que lá ficaram.
Os anos se passaram e ninguém nunca envidou esforços no sentido de achá-los ou qualquer coisa no sentido. Mas eu sempre me orgulhei muito das histórias que meu avô contava sobre sua família, que foram desde a chegada em Minas, do trabalho duro na lavroura até a morte de sua irmã e a negativa de ajudá-los porque eram simples imigrantes italianos.
Quando comecei a estudar a língua italiana no Consulado e em uma conversa com a bibliotecária, na hora de fazer minha ficha ela viu que eu me chamava Cocco e começou a me fazer perguntas acerca de minhas origens. Eu disse a ela que nunca tinha procurado obter minha dupla cidadania e contei a ela toda a história e que meu avô se lembrava do nome do endereço das cartas, mas não o número extava, VIA ROMA, TISSI, SS. Ela me falou sobre o site pagine bianche e me disse para tentar jogar o sobrenome na rua conhecida e ver se o site me dava os possíveis parentes que lá moravam. Assim, procedi e descobri 3 pessoas e com a juda de minha professora escrevi cartas para essas 3 pessoas que instrui com todos os docuemntos que tinha.
Passado pouco mais de 1 mês recebi o primeiro contato via e-mail e passei a comunicar-me com os possíveis parentes por e-mail e telefone. Meu avô ficou muito feliz pq de certa forma eu, sua neta, estava realizando aquilo que sua mãe e ele (porcausa dela) gostariam de fazer. Infelizmente, meu avô veio a falecer antes de minha ida a Sardegna, no dia 6 de janeiro de 2009, e não pude compartilhar o que vivi com ele, mas sei que ele ficou orgulhoso de mim pq voltei a terra tão amada de sua mãe, como ela queria e achei os parentes perdidos! Até em maio do ano passado ter ido para a Sardegna e o resto vc já sabe.
Por isso essa viagem teve uma emoção e sentimentos a mais pq não era só o meu sonho, mas o sonho do minha bisavó e meu avô que foram comigo.
Marcela Coco – Descendetes de Sardos